
O motor era nada menos um V16 de seis litros com 32 válvulas e ângulo de 45 graus entre as bancadas de cilindros. Como muitos motores de corrida na época, ele era sobrealimentado por um compressor roots, e produzia em 1936 cerca de 520 cv, potência quase inconcebível para o período. Em versões posteriores, ultrapassou os 560 cv. Com 40% do peso na dianteira e 60% na traseira, o carro tendia ao sobre-esterço e em uma época em que o diferencial de deslizamento limitado não havia sido inventado, o carro destracionava facilmente acima de 240 km/h.
O conjunto mecânico incluía câmbio manual de cinco marchas, acoplado ao diferencial traseiro. O motor em posição central-traseira proporcionava melhor tração na saída de curvas, mas concentrava grande parte do peso atrás do piloto, criando um carro rápido, porém difícil de domar.
O chassi tubular e a carroceria em alumínio, desenvolvida no Instituto Alemão de Aerodinâmica, buscavam reduzir massa. proporcionar arrefecimento eficiente e melhorar o efeito aerodinâmico. Para a época, tratava-se de um pacote técnico à frente de seus concorrentes. A suspensão usava um sistema de eixo dividido com barra de torção, que dava conta do recado na dianteira. Na traseira o carro tinha braços arrastados com semi-eixos oscilantes e feixe de molas transversal.
Três lendas ao volante
Três pilotos do período pré-guerra se notabilizaram ao volante:
O alemão Bernd Rosemeyer, icone máximo da Auto Union, transformou o Type C em extensão do próprio corpo. Sua temporada de 1936 entrou para a história, com vitórias no:: European driving championship; ADAC Eifelrennen; Coppa Acerbo; Feldbergrennen in Hochtaunuskreis - (Subida de Montanha, sem trechos na Floresta Negra); German Grand Prix, Großer Bergpreis von Deutschland at Schauinsland - (Subida de Montanha, com trechos na Floresta Negra); Italian Grand Prix, Swiss Grand Prix.
Em 1938, a Auto Union estabelecia seguidos recordes de velocidade e no final do mês de Janeiro, em uma estrada entre Frankfurt e Darmstadt, Rosemeyer estabeleceu um novo recorde, com a velocidade de 432 km/h. Na busca por ampliar a marca e não ser alcançado por Rudolf Caracciola, seu rival da equipe Mercedes, acabou sendo atingido por uma rajada de vento em um cruzamento na estrada.
O Auto Union saiu de controle, desviou para a esquerda, cruzou o canteiro central, saiu da pista e decolou antes de atingir o aterro de uma ponte. Rosemeyer foi arremessado para fora do carro durante o capotamento e morreu no local, encerrando de forma trágica a carreira de um dos grandes nomes do automobilismo.
Outro nome célebre no panteão da Auto Union, foi o alemão Hans Stuck. Stuck era um especialista em subidas de montanha, tendo obtido inúmeras vitórias com o Type C emprovas de velocidade pura, e ganhou merecidamente a alcunha de "Bergkönig" (Rei das Montanhas). Após a guerra, embora os alemães estivessem proibidos de competir até 1950, Stuck obteve a cidadania austríaca e imediatamente retomou as corridas.
Com a criação da F1 em 1950, Stuck pilotou para BRM (1951), AFM-Küchen (1952) e AFM-Bristol ( 1953).
A terceira lenda a conduzir um dos flechas de prata foi o italiano Achille Varzi. Varzi era oriundo da Alfa-Romeo, onde em 1934 havia vencido seis provas com o já obsoleto Alfa P3, e foi contratado pelo montador alemão, devido a sua experiência e refinamento técnico no desenvolvimento.
Mesmo ofuscado pelo desempenho estonteante do companheiro de equipe, Bernd Rosemeyer, somou quatro vitórias com o Type C, e levantou pelo terceiro ano consecutivo o Grande Prêmio de Trípol.
Em resumo no seu auge d Type C, conquistou o Campeonato Europeu de Pilotos com Rosemeyer (1936); venceu o GP da Alemanha do mesmo ano, derrotando sua grande rival a Mercedes. No templo da velocidade, Monza, naquele ano Rosemeyer derrotou o ídolo italiano Tazio Nuvolari com uma vantagem de mais de dois minutos, ao final de 72 voltas.
Legado
O Auto Union Type C tornou-se referência estética, técnica e histórica. Seu conceito de motor central, sua silhueta limpa e seu caráter extremo influenciaram gerações de engenheiros, designers e pilotos. Hoje, os raros exemplares preservados são tratados como obras de arte mecânicas. Aparecem em museus, eventos como Goodwood e festivais de carros históricos, onde não são apenas exibidos: são celebrados.
O Type C não é lembrado apenas por vencer corridas. É lembrado por ter mostrado que o automóvel pode ser, ao mesmo tempo, máquina, manifesto e mito.

Depois a Auto Union, viria a se tornar a Audi, e construiria outras lendas no motorsport, como o Quattro turbo e de tração integral que a empresa lançou em 1980 e que venceria uma quantidade admirável de eventos de corrida e ralis em todo o mundo. O Audi Quattro foi particularmente bem sucedido no Campeonato Mundial de Rally (WRC) ao vencer o título de construtores para as temporadas de 1982 e 1984.
Depois nos anos 2000, foi a vez de criarem os míticos Audi R10 TDI, com seus motores turbo diesel, que acabaram dominado por ano o WEC (World Endurance Championship). Em 2026, a fábrica dos anéis entrelaçados se lança na Fórmula 1, que tem novo regulamento, e a intenção e continuar revolucionanto o esporte.
Ficha técnica – Auto Union Type C
Projeto: Ferdinand Porsche
Equipe: Auto Union
Ano de estreia: 1936
Arquitetura: motor central-traseiro, tração traseira
Motor: V16 a 45°, sobrealimentado por compressor
Cilindrada: 6.008 cm³
Potência: cerca de 520–560 cv (dependendo da versão)
Transmissão: manual de 5 marchas
Freios: sistema hidráulico Porsche a tambor
Chassi: tubular de aço em escada
Carroceria: alumínio
Peso: aproximadamente 824 kg (regulamento da época)
https://www.youtube.com/watch?v=eAEE5ScmjAQ&t=3s

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