Bem dando sequência a minhas lembranças, eu me recordo da primeira vez que tive contato com o automobilismo No caso era automobilismo de fenda, ou como mais conhecido pelo público "autorama".
A palavra dá significado a um brinquedo criado nos Estados Unidos em 1912 pela Lionel, e tinha carrinhos movidos à pilha em uma min pista. O brinquedo chegou em terras tupiniquins em 1963 através da Mobral Modelismo, que os importava.
No ano seguinte a Estrela começou a fabricá-los, sob licença da Gilbert (empresa norte-americana). Aqui começou a se tornar muito conhecido graças à chegada de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1. Tanto que o brinquedo ganhou versão elétrica e passou a se chamar Autorama Emerson Fittipaldi.
Posteriormente houveram versões com os nomes de Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello.
Bom voltando a minha lembrança. Em 1973, eu perturbava minha mãe dizendo que queria um autorama como presente de natal. Fiquei decepcionado por não ter ganho um naquele ano, muito embora tenha recebido uma televisão 14' só minha como presente de natal.
No ano seguinte fui ao extinto Playcenter (parque de diversões localizado em São Paulo), e para minha felicidade havia uma pista de autorama montada. Os carrinhos eram o Lotus do Emerson Fittipaldi, o Brabham do Wilsinho, o Tyrrell do Stewart e a Ferrari do Lauda.
Após uma longa fila de espera consegui alinhar para disputar minha corrida de estreia. Era uma pista profissional , onde era possível alinhar 8 "pilotos". Dada a largada eu, que fiquei com o Tyrrell do Stewart, assumi a ponta, e assim permaneci por duas voltas, até um lunático me atingir covardemente em uma curva como um torpedo e me jogar literalmente para fora da pista.
Sai bastante chateado, já que os carrinhos não eram recolocados na pista, e a fila era enorme para uma segunda corrida. O tempo passou e acabei descobrindo a Sebring (pista profissional que ficava na Rua Augusta). Namorava os carrinhos dos adultos, que os traziam dentro de brilhantes caixas de ferramentas coloridas e enfeitadas com dezenas de adesivos.
Eu e meus amigos de colégio (Sacre Coeur) levávamos nossos "estrelinhas" envenenados com fio Pirelli mais grosso. Para nós eles voavam, mas bastava aparecer alguém com um Mura ou Mabushi para mostrar que ainda tinhámos muito que aprender.
Assistimos e participamos de algumas corridas de longa duração (2 horas), onde apagavam as luzes da loja e só ficavam as luzinhas (leds) dos carrinhos simulando os fárois. Também colocavam gelo seco sob a pista para simular neblina, e a gente sonhando que estava correndo em Le Mans ou nas 1000 Milhas de Interlagos.
No fim da adolescência já tinha meus Mura 7, Mura 12 e Mabushi e me divertia com os "carros asa", mas adorava andar com os estrelinhas com bolha de carros de turismo. Anos atrás voltei a me divertir com um bando de amigos no Kart In, onde meu amigo Lineo Pestana criou diversas categorias para nos desafiarmos.Tenho um Porsche GT1 da Flymodelcars, mas a dó de colocar ele na pista e alguém bater faz com que ele seja somente um item de coleção. O tempo passou mas a paixão pelos carrinhos que nos obriga a ficar com os olhos na pista e controlar a vontade de apertar o acelerador até o fim não.


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