A primeira vitória

Dias atrás estava conversando com um grupo de amigos nos boxes em Interlagos, na realização do Campeonato Intercontinental de Fórmula Vee; e falando sobre a história dos "fórmulinhas" acabei lembrando de um fato da minha infância.

Acabei recordando de um salão das crianças, que foi realizado no quarto andar da Loja Pirani, que ficava na Av. Celso Garcia, no Brás. Não lembro mais com exatidão o ano, se foi em 1970 ou em 1971. 



A Pirani nos anos 60 e 70 era uma grande loja de departamentos, concorrente direta do Mappin, e conhecida como a Gigante de São Paulo, ou a Gigante do Brás. Em 1972 um incêndio de grandes proporções na sua filial da Av. São João condenou a rede a falência.

Lembro claramente que minha mãe me levou, e como de costume eu finquei pé que queria ir na sessão de brinquedos. Onde invariavelmente voltava para casa com duas miniaturas de Matchbox, e alguns "soldadinhos" do  Forte Apache. 





Prerrogativa e filho único na época, até hoje brinco que eu era o príncipe, e assim fui criado, ou como diz minha namorada (mimado) rsrsrs. Naquele dia de outubro no entanto, estavam realizando um Salão das Crianças, e montaram um circuito para as crianças se divertirem com a Tonka e o Velotrol, dois triciclos da fábrica de brinquedos Trol.

Eu tive de enfrentar uma fila para andar primeiro na Tonka, que parecia uma moto de verdade, inclusive com o pedal saindo de uma imitação de motor, e com barulho por uma palheta na corrente que era embutida imitando som de motor.


Apesar de aos meus olhos de criança parecer uma moto, era ruim de se controlar, devido ao centro de gravidade alto. Dei algumas voltas, brigando para não cair nas curvas fechadas, e logo a corrente soltou, me fazendo ficar parado na "pista".


Minha mãe achava que eu já me daria por satisfeito, mas que nada. Entrei de novo na fila, desta vez decidido a andar no Velotrol, não tão bonito, mas bem mais rápido.

Após a espera fui para minha "corrida". Eram uns oito ou dez garotos na pista, cinco com Tonka e os outros com o Velotrol. Não tinha ruído de motor, nem corrente, os pedais ficavam na própria roda dianteira. 


A gente sentava bem baixo, e o briquedinho parecia voar, as curvas se contornava derrapando, ou ao menos eu pensava que assim estava fazendo. Depois de algumas voltas, ou minutos veio a bandeirada e eu ganhei.

O troféu era um deliciosa Caçulinha bem gelada. Incrível como certas coisas ficam gravadas na memória, chego a lembrar o barulho dentro daquele salão, o vento quando estava no Velotrol, e as imagens com o chão de tacos encerados e tudo mais.



Comentários

  1. Linda história, de uma infância feliz, e que ao mesmo tempo te fez ver sua vocação e te mostrou o caminho a seguir.

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