Fangio o maior de todos os tempos

Juan Manuel Fangio

O automobilismo é sem sombra de dúvidas um dos esportes mais apaixonantes do planeta, e por um lado extremamente cruel e perigoso. Exatamente por isso consagra alguns nomes, elevando-os ao panteão de mitos.

O maior deles é sem dúvidas o do argentino Juan Manuel Fangio. Claro que irá chover questionamentos, apontando este ou outro como muito superior e com mais títulos que o argentino conhecido como “El Chueco”, por causa de suas pernas tortas que o faziam mancar.

Justifico esta escolha por algumas questões bastante simples Fangio começou a competir já em uma idade avançada pelos padrões atuais, aos 23 anos disputou sua primeira prova automobilística.

Não foi imediatamente vencedor, mas graças ao seu físico robusto, algo extremamente importante para conduzir os carros dos anos 30, 40 e 50, aliados a um profundo conhecimento de mecânica o ajudaram sobremaneira.

A primeira vitória viria somente em 1940. No ano seguinte veio ao Brasil e venceu o Grande Prêmio Getúlio Vargas; a seqüência no automobilismo foi interrompida pela segunda guerra. 


Em 1948 começaria sua carreira internacional, disputando na França (Reims) uma prova com um Simca-Gordini. Com a ajuda do governo argentino no ano seguinte, Fangio e seu compatriota José Froilan Gonzáles fariam sucesso nas pistas do velho continente.

Fangio chegou em primeiro lugar em: San Remo na Itália com um Maserati 4 CLT/48, em Pau, Perpignan e Albi na França com o mesmo carro. Em Marselha ganhou com um Simca-Gordini e novamente na Itália, em Monza, com uma Ferrari Tipo 166 F2

Na primeira temporada da Fórmula 1, o argentino já era contratado da Alfa-Romeo. O piloto oriundo de Balcarce (província de Buenos Aires), conquistou nada menos que cinco títulos na Fórmula 1, sendo quatro de modo consecutivo, feito só igualado muitos anos depois por Sebastian Vettell (2013) e superado por Michael Schumacher (2004) com cinco títulos consecutivos.


Fangio é ainda o segundo maior vencedor da F1 com cinco títulos, e o mais velho piloto a conquistar o título aos 46 anos. O argentino detém ainda a melhor média de vitórias da categoria, com 24 triunfos em apenas 51 Gps disputados (46,15%).

Na sua carreira defendeu na F1 a Alfa-Romeo, Maserati, Ferrari e Mercedes-Benz, tendo chegado 35 vezes no pódio e largado em 29 oportunidades na pole. A destacar, foi campeão em todas as equipes que defendeu.

A técnica do piloto sempre impressionou seus pares, principalmente nas curvas. Os carros já eram na época muito velozes, chegando a fazer 280 km/h de máxima, com médias muito altas e a segurança era quase inexistente. Os freios a tambor eram pouco eficazes, não existia cinto de segurança, os capacetes não passavam de toucas de couro, circuitos sem área de escape.

Pilotar um carro de corridas nesta época era uma atitude pouco sensata. Isso inclusive quase custou a vida do argentino em 1952.

Para disputar o GP da Itália, o mau tempo impediu ao piloto continuar sua viagem de avião, e assim ele decidiu continuar a viagem de carro.  Fangio saiu de Paris, e dirigiu aproximadamente 700 km até Monza. 

Completamente exausto o piloto assumiu os controles do seu Maserati durante uma sessão de treinos no dia seguinte. Saiu da pista e voou para fora do carro, ferindo-se gravemente no pescoço.


“Na curva de Lesmo, minha máquina começou a derrapar. Ouvi o chiar dos pneus, o golpe da máquina que saia do solo e voava sobre as árvores. Agarrei-me ao volante, mas o choque arrancou-me da direção e projetou-me para frente. 

Naquele instante eu soube o que significa morrer na pista. Como em um filme em câmera lenta, vi o ramo bifurcado de uma árvore vir em minha direção como se fosse me transpassar e tocar-me sibilante, enquanto eu planava em direção a uma confusa sombra verde”, relatou tempos depois sobre o acidente.
 
O piloto foi levado inconsciente para o hospital, teve tronco e pescoço engessados. Ficou 42 dias internado e cinco meses com pescoço e tronco imobilizados. Muitos chegaram a pensar que a sua carreira estaria encerrada ali. 

No entanto, voltou a competir no ano seguinte. Fangio nos deixou em 1995 aos 84 anos, vítima de insuficiência renal crônica, algo que o acompanhou durante toda vida.

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